sábado, 30 de março de 2013

- Um lapso momentâneo



Vai ver foi só saudade...

E subitamente o seu cheiro veio trazido pelo vento frio daquela noite serena de sexta-feira. Sentiu seu gosto mais uma vez.

Em cada canto daquela sala clara a lembrança de sua figura estava.
Uma lua entregue a um céu sem estrelas. Uma brisa vinha sob teus cabelos sem bagunçar.
Sob os olhares fixos voltados a ela, ele dizia seus sonhos, desejos e os medos que tinham em cada noite.

- Vai ver foi só saudade...

Um carinho no rosto. Um roçar de corpo um esquentando o outro. Era leve tê-lo sobre ela.
Um universo que conspiravam contra, porem eles regavam as flores todos os dias, afim de permanecerem ali, juntos.

- Vai ver foi só saudade...

Distante a imaginar, ela hoje atravessa o bar com a tristeza a lhe guiar...
- Garçom, por favor, mais um gole na garganta pra esquecer o que passou!
Se é pra te ver em sonhos meu bem, me espere que é pra ir que eu vou.


Vai ver foi só saudade. Aonde nada mais se modifica.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

- Desastrado?


Quando ele veio, logo a encostou no seu peito, acolhendo aquela sensação “velha” e tão parecidamente recente de conforto. Almas essas que estavam longe e esquecidas pelo tempo que foi passar fora . Sem hesitar ela perguntou: - Tem lugar pra mim?

Será que há pelo menos o nosso próprio lugar em nosso coração? Amar o outro é querer mais bem do que a si próprio?

- Do alto dos seus vinte e poucos anos, ele não era forte ainda o suficiente pra resolver algumas coisas que calejavam suas mãos.·.
Um sorriso contido, um olhar revertido, uma mão suave indo contra o rosto dela. - Vejam só, ele sabe o que fazer, só não o que ela pensa em dizer. E como ele queria que os pensamentos dela fossem voltados a um “nós”.

Só pra constar nos registros por aí, que tudo que ela fez lá atrás foi seu. - Já ele foi sempre desajeitado em relação a ter uma pessoa. Os horários, os dias, a permanência nunca era imediata.
Agiu como um gato, dengoso, livre e com surtos elétricos. -Sabe se impor, porem não despensa um cafuné, um doce, um dengo. E no fundo ele é só mais um sem destino, sem fronteiras...
Não é bom com decisões, olha prum lado e outro se vê ele lá mais uma vez parado fazendo cara de perdido e sem dona.
- Tem lugar pra ela nesse coração?

Ela faz cena pra vê se vale apena pelo menos ele adulá-la um pouquinho. Mas acontece que ele é desastrado...



quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

- To be continue...



“To be continue?”

Quando algo não foi concluído estamos propícios a acreditar que muita coisa ainda está por vir. Certo?
E por que não tentar e acreditar mais uma vez? – Devemos sim ser capazes de ver uma luz no fim do túnel, um feixe de luz mesmo que miúdo é uma forma de esperança, de vida, sei que mal cabe dois olhos num buraco porem cabe na imensidão de um “R”, aquele que reativa/reajusta/recomeça/reama.

É como andar de bicicleta, se caímos ralados ficarão nossos joelhos, e o que fazer? Desistir ou insistir?
Não é por temer ao sofrimento que temos que desistir de pedalar. Lembre-se:
- Seguir, porem em frente!

Interromper, é parar, é romper a continuidade de algo . E foi mais ou menos isso.
Não houve tempo pra pensar, nem pra contar as horas longe,os dias longos, os momentos usados. Descidiram pelos dois. Por ele.

Foram feitos um pro outro, foram feitos pra durar, no entanto foram roubados um do outro.
Todo dia teu cheiro vem e acerta em cheio.  Sem motivos, nem objetivos. Apenas veem sem mais, sem regras.
Quem sabe um dia a gente se encontra paralisados por aí, numa esquina, num beco, num corpo... Nós estamos vivos e isso é tudo.

sábado, 22 de dezembro de 2012

- Fotos na estante



É como não querer sentir, mas não tem como evitar, pois borbulha, efervesce a mente racional. Inflama o coração sentimental , deixando aquela sensação de ainda doer. E por quê?

Muito prazer, me chamo saudade.

O coração acelera só em ver uma simples foto, senti um rodopio, um balançar nas pernas, uma falta de sentir o ar dele na boca.
Sentiu o corpo tremer, como se ele a tocasse nos ombros. Um arrepio na pele, fazendo levantar os pelos dos braços como se ele a abraçasse de tanta falta.

Muito prazer, me chamo saudade.

Num balanço calmo ela descansa, e seus olhos o ver nos cantos das paredes, ou quando é fim de tarde e ver os carros passando na avenida. Nessas horas dorme longe a lembrança.
Fecha os olhos e viaja. Teletransporta ao lado dele. Fica imbuída, envolvida achando estar agarrada aqueles longos braços fortes. E viaja quantas vezes quiser...

Rir de canto de boca, ao lembrar das bobagens compartilhadas. E aqueles apelidos bobos e melosos que só os dois sabiam, e o que foi vivido ficam ali guardado. Fechado. Lacrado. Ainda mais se toda essa estória foi saudável. O que nos resta é acreditar que há sempre uma forma de ficar tudo bem. De haver um alivio uma esperança, uma vontade.
 Muito prazer, me chamo saudade.
Trinta dias vão ir e eu nem fui ver...
É o avesso do esforço que eu faço. É cedo pra não lembrar que o plano era ser feliz.
E o olhar que eu guardo na lembrança...

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

E o coração que teima em bater


Terça-feira
O céu agora chora e se transborda de emoção. As nuvens que carregam todo o sentimento e a razão...
E assim ela vai guiando seu guidon pra um rumo mais ameno.  Um mundo que não cabe um “nosso” nem um “nós”.
Ela sabe que precisa sim de todo cuidado, porem sua vista anda desfocada para perceber. Mesmo que muitas sejam as mãos que se estendem para afanar seus medos, ela fica, prefere ficar mais retraída ali no canto. Talvez seja uma forma mais convicta de ser forte, de estar preparada pra algo, ou seria apenas uma máscara como aquelas que disfarçam o que os sentimentos teimam em mexer. E o coração teima em bater.


Avistou, fingiu não ver. Sentiu, fingiu não ter. Calou, fingiu não querer. Mentiu, pra proteger. Fugiu, quando melhor era mesmo correr. Sorriu, na ora exata de chorar...


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

- Só para depois II


E de tantas voltas e re-voltas, o que foi que aconteceu?
Voltas essas que não foram ao pé da letra, foram apenas vontades, mas sem dizeres. Voltas que nunca puderam sair da boca de nenhuma dos dois, e quem teria coragem? E de quem seria a vez?
Café não é sempre amargo e nem sempre doce, é ali no meio termo. E quem de nós dois
vai entender primeiro? Talvez nem seja assim tão complicado.
E todo aquele turbilhão de sentimentos guardados, foram jogados no liquidificador, prontos a se transformar em uma vitamina forte e quem sabe saudável dessa vez.
Ela foi pra bem longe de novo, mas quando menos se esperava olha ele lá outra vez, esperando na sombra. Cada vez que ela fugia, ele se aproximava mais. Atravessava o futuro.
Ela vive em modos antigos, e ele vive na moda. – Ela é careta, ele é liberal. – Ela se prende, e ele se liberta.
 Ela precisa de cuidados, e será que ele sabe cuidar?
E quando ela fala que já não quer mais, ele parece que não ouve. A Enfrenta e a desarma.
 “Amar -antes” e “Re-amar”  depois.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Os dias que me vejo só...


Parece que os dias andam arrastados...
Amuados,
Quietos,
Fechados,
Calados...

As tardes ainda mais quentes...
Mentes,
Inconseqüentes
Sentem...

As noites parecem ainda mais escuras...
Mudas,
surdas,
em dúvidas...

O que vai sobrar dessas injurias?
Amarguras
Incúrias


Achou que sofrer é amar demais.